quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Se não for o Jesus será o Manel



O Benfica é um clube com quase 110 anos de história e por onde já passaram inúmeros presidentes, treinadores e jogadores de qualidade duvidosa ou de grande valor. É natural que assim seja. As pessoas passam mas a instituição fica porque como grande clube que é vive, acima de tudo, da sua massa adepta e essa, não podemos negar, é enorme.

Jorge Jesus teve ontem mais um laivo de genialidade que, (in)felizmente, deixou um travo amargo na boca de todos aqueles que são adeptos do clube da Luz. Depois de uma vitória tranquila frente ao Leixões e quando instado a comentar a transferência de Matic para o Chelsea e possíveis soluções para ocupar esse lugar, o auto-intitulado "Mestre da táctica e do treino" profere a seguinte afirmação: "Soluções para Matic na formação? Teriam de nascer 10 vezes". Ora se alguém tinha dúvidas quanto às intenções do técnico encarnado sobre a aposta na "cantera", acho que ficou esclarecido. Palavras como estas não ajudam e não motivam todos aqueles que durante anos têm dado tudo o que têm e o que não têm, trabalhando no duro e crescendo tanto a nível profissional como pessoal para que um dia pudessem vestir a camisola principal das águias. O mínimo que poderei dizer é que se tratou de uma falta de respeito. E acredite, caro leitor, é o mínimo.

Por outro lado, não me deixa de fazer confusão o timing destas declarações. O presidente do Benfica tem insistentemente referido que pretende ver reforçada a aposta na formação encarnada, apontando até uma percentagem de jogadores que irá compor o plantel principal provenientes das escolas do clube. Já o técnico principal tem uma visão oposta: os jovens da formação não têm qualidade para abastecer a equipa sénior. Em que é que ficamos senhor Presidente?
Ao ouvirem estas declarações alguns dos jovens da formação encarnada mostraram-se indignados e colocaram alguns comentários nas suas páginas pessoais do Facebook. Uma onda de apoio foi criada e, claro, não agradou a quem de direito. Depressa foram obrigados a "desmentir" tais declarações ou pelo menos a dizer que não tinham intenção de pôr em causa o trabalho de ninguém. Mas sinceramente, deviam. Principalmente quando o trabalho está a ser mal feito. Mas se calhar não lhes compete a eles. Compete aos sócios. Aos adeptos do clube. Porque tempo, dinheiro e plantéis de luxo como nunca se viu em Portugal foi o que Jesus teve nestes últimos anos. E um campeonato e três taças da Liga não chegam para justificar essa aposta.

Ficámos a saber ontem que Jesus também não percebe de relva. O que até é bastante compreensível. Jesus não percebe de muitas coisas. Estou-me a lembrar por exemplo de uma outra: o Português.
Para gáudio de muitos, uma das mais épicas flash-interviews da história do futebol teve a cereja no topo do bolo quando JJ diz (também sobre a saída do sérvio para o clube de Londres): "Se não jogar o Matic... joga o Manel. O importante é jogar com 11". Ora muitos adeptos do Benfica, depois de ouvirem tais palavras também devem ter ficado a pensar: "Se o treinador não for o Jesus... Será o Manel. O que interessa é termos um que vença campeonatos e mostre vontade de apostar na formação".
E olhe que o actual não tem correspondido nem num aspecto nem no outro.

1 comentários:

Pedro Moutinho disse...

Excelente. Gostei muito.
Continua assim Caceteiro Barros. 'Pra frente é qué lisboa!'

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