segunda-feira, 3 de junho de 2013

Jorge Jesus: Do mito à realidade - Parte II



Jesus tem tido, ao longo destes últimos anos, os planteis mais caros na história do Benfica. Jogadores de qualidade inquestionável, alguns já transferidos para grandes clubes europeus outros ainda a actuar nas águias. No entanto, os meios não estão a corresponder aos fins.
Não chega só jogar futebol bonito e fazer quantias avultadas  em transferências. Um clube como o Benfica vive de títulos. E com quatro anos no reinado de JJ, o Benfica venceu três Taças da Liga e um Campeonato.
Podemos falar das boas campanhas europeias, que devolvem prestigio ao clube. Mas não lhe dão títulos. E o maior rival dos encarnados, já tem maior número de troféus conquistados. Para o comum dos adeptos, é uma estatística importante.  Analisemos então a questão do plantel desta época.


A época do Benfica começou de maneira bastante boa para os cofres da Luz mas que originou perdas em termos de recursos humanos de grande relevo. Com as saídas de Javi Garcia (no último dia do Mercado português) e Witsel (já depois de o mercado interno fechar, foi transferido para a Rússia), Jesus prescindiu de reforços dizendo que o material humano que tinha à sua disposição era suficiente. Apostou em jogadores que até aqui tinham estado na sombra (casos de Matic e, do adaptado, Enzo Pérez) e lançou os jovens portugueses André Almeida e André Gomes. E foram praticamente estes quatro jogadores que fizeram o meio-campo dos encarnados esta época, com 80% do tempo jogado pelo sérvio e pelo o argentino.
Bruno César foi, por vezes, utilizado durante a primeira parte da época na posição de 8, até ser vendido para o mercado árabe. Menos uma opção para Jesus que não foi compensada com nenhuma entrada em Janeiro.

Outro dos casos muito discutidos foi, mais uma vez, o défice a nível de defesas esquerdos no plantel encarnado. Depois do fraquissimo Emerson ter actuado uma época inteira no flanco das águias (ainda muita gente está para perceber como), desta vez JJ teve de adaptar Melgarejo (que voltou do empréstimo ao Paços de Ferreira onde actuava a extremo/avançado) a essa posição preterindo o contratado Luisinho (também proveniente do Paços) para segunda e, mais no final da época, para terceira escolha quando André Almeida actuou em vários jogos na lateral esquerda. "Melga" foi um lateral "à Jesus", com um pendor ofensivo muito grande mas com inúmeras falhas defensivas de quem não tinha rotinas nessa posição.

Em termos ofensivos, perdeu Nolito para o Granada em Janeiro. O espanhol reclamava mais tempo de jogo e os responsáveis encarnados decidiram-se pelo empréstimo ao clube andaluz. Outra medida bastante contestada pelo adeptos, por se tratar de um jogador que cumpriu quando foi chamado à responsabilidade.
Ola John teve uma época complicada. Um inicio frio (já se dizia que era um grande flop), uma explosão repentina (rotulado de craque) e uma quebra física enorme (os últimos dois meses foram penosos, tanto para ele como para muitos outros jogadores dos encarnados).

Já mais para o final da época, nos chamados jogos decisivos, surgiu o nome de outro jogador. Artur Moraes, até aqui apontado como um guarde-redes de Selecção cometeu vários erros gritantes que contribuíram para o Benfica não ter vencido qualquer competição. O "frango" no Benfica-Estoril, o auto-golo sofrido no Dragão (Não é totalmente culpado mas tem alguma responsabilidade) ou o primeiro golo do Guimarães levantaram inúmeras dúvidas aos adeptos benfiquistas. Um guardião de um clube dito "grande" tem de estar preparado para actuar nas alturas mais importantes e Artur não o conseguiu.

Em termos globais a questão física e emocional do plantel é, para mim, outra das razões do insucesso encarnado, devido à estratégia que JJ adoptou. O futebol total dos encarnados leva a que grande parte dos jogadores chegue ao final da época completamente estoirado e que, pelo segundo ano consecutivo, perca o campeonato nas últimas jornadas. Este ano, Jesus rodou mais a equipa, é certo, mas não o suficiente. Salvio, Maxi Pereira, Melgarejo, Enzo Perez, Gaitan e, o já referido, Ola John foram dos jogadores em que mais se notou a quebra física.

Na última parte desta trilogia, analisaremos o futuro de Jesus (no Benfica ou fora dele).

1 comentários:

Pedro Moutinho disse...

Acredito que, com Witsel Jesus teria sido campeão. As contratações de André Leão ou Vitor deveriam ter sido feitas em Janeiro. Teria sido, qualquer um, muito útil. Nolito não deveria ter saído.
E com isto, Jesus teria hipoteses de efectuar uma rotatividade com uma qualidade superior e assim, ser Campeão

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