segunda-feira, 27 de maio de 2013

Jorge Jesus: Do mito à realidade - Parte I


Depois de mais uma enorme desilusão, ao perder para o Guimarães a Taça de Portugal, onde foram deitadas por terra as esperanças de o Benfica vencer algum titulo esta época, Jorge Jesus está na mira dos adeptos encarnados que contestam as exibições da equipa neste final de época em jogos que foram decisivos e que comprometeram as aspirações encarnadas. É normal, nestas alturas, apontar-se o dedo ao treinador que é normalmente o elo mais fraco em todos os clubes de futebol. Mas existirá algum fundo de verdade nessas acusações? Será Jesus o treinador indicado para o Benfica? Terá JJ chegado ao fim da linha como técnico das Águias? Analisemos a situação.

Em quatro anos de reinado do "Richard Gere da Reboleira", o Benfica conseguiu vencer um campeonato (no seu primeiro ano) e três Taças da Liga. Chegou ainda aos quartos de final da Champions e às meias-finais e final da Liga Europa.
Estes foram os feitos desportivos conseguidos pelo técnico que, no plano financeiro, foi importantíssimo para manter o equilíbrio das contas encarnadas. Vendas como a de David Luiz, Ramires, Fábio Coentrão e, já esta época, Witsel e Javi Garcia permitiram ao Benfica encaixar valores importantes para o cofre encarnado. A potencialização de jogadores foi uma das grandes bandeiras destes quatro anos de Jesus que conseguiu, com arte e engenho, colocar jogadores a jogar o dobro ou o triplo do que jogavam antes do técnico chegar. Teve ainda a capacidade de adaptar jogadores a posições no terreno que não lhe eram familiares sendo os casos de Fábio Coentrão e Enzo Perez expoentes máximos dessa politica.

Por outro lado, Jesus foi derrotado, primeiro por André Vilas-Boas e depois por Vítor Pereira(duas vezes) nos três anos seguintes à conquista do título. O Porto conseguiu vencer o campeonato tendo o Benfica, nos dois últimos anos, disposto de vantagens importantes até perto do final da prova acabando por vacilar quando muitos já não acreditavam ser possível. A segunda competição mais importante do calendário português, a Taça de Portugal, nunca foi ganha por Jesus. Aliás, uma das maiores "humilhações" da era JJ foi ter sido eliminado pelo Porto nas meias-finais da Taça (a duas mãos) perdendo na Luz por 3-1 depois de ter vencido no Dragão por 2-0.
A gestão do plantel foi sempre uma questão muito criticada pelos comentadores e que, até ver, não foram comprovadas melhorias significativas. O Benfica parece "explodir" na parte final do campeonato, perdendo o gás em quase todas as provas e permitindo aos adversários aproximarem-se e mesmo ultrapassar a equipa encarnada.
A teimosia de Jesus na aposta em alguns jogadores menos capazes foi também algo que deixou os adeptos encarnados sempre de nervos em franja. A incompreensível aposta em Roberto ou a inacreditável manutenção de Emerson como lateral esquerdo durante toda uma época foram disso exemplos.

Os Pró's:

  • Venceu um campeonato e voltou a colocar o Benfica na rota da Europa;
  • A equipa joga futebol atractivo que agrada aos adeptos;
  • Valorização de jogadores que levam a encaixes significativos ao serem vendidos;
Os Contras:
  • Dois campeonatos perdidos depois de liderar com vários pontos de vantagem;
  • Gestão física e emocional da equipa 
  • Teimosia desmedida ao apostar em jogadores não capazes de actuar num clube como o Benfica
Na parte II analisaremos o plantel encarnado e as escolhas de Jesus durante a presente época desportiva. 

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