quinta-feira, 18 de abril de 2013

Derby é Derby, Parte II - O Benfica


Depois de ontem termos apresentado a estatística por trás do Derby, está na altura de dissecar as equipas. Comecemos pela equipa da casa. O Benfica, comandado por Jorge Jesus, tem feito uma época quase perfeita nas várias provas em que está/esteve inserido e chega a este jogo grande com a moral elevadíssima  Final da Taça de Portugal garantida, Meias-finais da Liga Europa por disputar e 1º lugar da Liga com 4 pontos de avanço sobre o Porto, 2º classificado.
As diferenças para o que se passou na época transacta são notórias: Um plantel com maior profundidade (para mim, o melhor da Liga) com jogadores de qualidade para todas as posições e um treinador a gerir de forma irrepreensível os recursos humanos à sua disposição (um dos erros apontados pelos analistas como causadores do revés do ano passado).


Este é o esquema táctico mais utilizado por Jesus e também, muito possivelmente, o que será utilizado no derby de Domingo. A baliza, será entregue a Artur Moraes. O experiente Guarda-Redes brasileiro "pegou de estaca" na equipa encarnada e esta sua segunda época tem sido mais tranquila e segura. Diz "Presente!" nos momentos decisivos.
O quarteto defensivo é composto por dois centrais de classe mundial. Luisão e Garay têm realizado uma época de grande qualidade e há já quem os considere uma das melhores duplas de centrais de sempre da equipa lisboeta. Melgarejo e Maxi são os laterais. Melhor no capitulo ofensivo do que no defensivo, os dois jogadores fazem todo o flanco com frequência mas deixam muitas vezes espaço para o ataque do adversário.

Já no meio-campo, os dois motores da equipa encarnada. Matic foi a revelação do ano pela forma como joga e faz jogar. Não se limita a ser um "destruidor" de jogo. Alia essa capacidade, ao seu fantástico pé esquerdo que lhe permite sair a jogar com qualidade. Os slaloms que por vezes faz no centro do terreno têm tanto de bonito como de perigoso. É importante no equilíbrio defensivo da equipa, em especial quando os laterais sobem, formando uma linha de três centrais com Garay e Luisão. Outro jogador revelação é Enzo Perez. O Argentino, inicialmente contratado para a posição de extremo foi adaptado a médio-centro depois das saídas de Javi Garcia e, em especial, Witsel. Um autêntico "vagabundo" no meio-campo, Enzo é visto a apoiar os laterais, a defender mais atrás, a pressionar os defesas centrais adversários, enfim, um todo-o-terreno que tem sido muito útil a Jesus nesta sua caminhada. O seu temperamento "latino", ainda para mais nestes jogos, pode ser uma desvantagem.

Nas alas, Salvio e Gaitan são jogadores de grande qualidade. Os dois argentinos têm feito uma temporada de alta rotação, em especial o extremo-direito vindo do Atlético de Madrid. Nesta sua segunda passagem pela equipa encarnada, "Tótó" Salvio tem justificado o rótulo de jogador mais caro de sempre, com golos e assistências importantes.Gaitan é uma mágico com bola nos pés mas que muitas vezes se eclipsa do jogo de forma até anormal. Parece ter mais "fogo" quando joga nas competições europeias. Dois extremos que gostam de "puxar para o meio" ou servir os avançados através dos seus cruzamentos de morte.
A dupla de avançados é composta por dois matadores-nato. Cardozo e Lima têm, em conjunto, 52 golos em todas as competições esta temporada. O Paraguaio tem uma relação estranha com o golo e com os adeptos. É um jogador muito pouco móvel mas portador de um pé esquerdo com qualidades paranormais. Já o brasileiro Lima tem um faro para o golo e foi uma contratação-chave e que tem justificado inteiramente um investimento de 4 milhões de euros num jogador com 29 anos. Apesar da idade, é um jogador de enorme mobilidade, daí actuar atrás de Cardozo. Vão, certamente, pôr em trabalhos a defensiva leonina.

Jesus tem ainda no banco jogadores que podem fazer a diferença. Rodrigo, Ola John ou Aimar têm qualidade suficiente para mudar um jogo. Será a eles que o treinador irá recorrer caso a partida não esteja a correr de feição.

Este é o Benfica que o Sporting pode esperar no Domingo. Uma equipa de ataque, que quer controlar o jogo e que, perante os seus adeptos, vai dar tudo para vencer e ficar ainda mais próximo do título nacional.

Amanhã, a última parte desta trilogia. A análise à equipa do Sporting.

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