quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Campos Inclinados


Nos meus, não muito longínquos, tempos de estudante do ensino básico relembro com algum gozo e saudade os intervalos passados a jogar à bola fazendo chuva ou sol, frio ou calor. E a bola rolava sempre, estivesse ou não disponível o único campo aceitável para se jogar. Muitas vezes, dado que até na escola se respeitava uma hierarquia, o pessoal mais velho ocupava o tão ansiado campo de alcatrão relegando-nos para uma rampa que ligava os pavilhões de aulas e o pavilhão desportivo.
Não deixava de ser divertido jogar aí, pese embora o facto de quem jogasse de baixo para cima tivesse muito maior dificuldade e em 99% das vezes perdesse a jogatana. Mas, para tornar tudo mais justo, acabámos por colocar alguns "handicap's" para que as equipas que jogassem em baixo tivessem reais hipóteses de vencer o jogo. Umas vezes jogavam com mais jogadores, outras começavam com 3 ou 4 golos de avanço. Enfim, o campo estava inclinado desde o inicio mas as equipas sabiam bem ao que iam e tinham ambas condições de vencer.

O Vitória de Setúbal - Porto da 12ª jornada da Liga Zon Sagres disputou-se ontem depois de ter sido adiado devido às condições do relvado. Um jogo que acabou com a vitória justa do Porto por 3-0. Lucho Gonzalez foi mesmo o "El Comandante" jogando e fazendo jogar, aproveitando também mais uma noite inspirada de Jackson Martinez. Os dragões lideram agora o campeonato, em conjunto com o Benfica, mas com vantagem no confronto directo.
Existe um ditado português que realmente se pode aplicar para descrever todo o imbróglio que este jogo gerou "O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita". Neste caso, não se endireitou mesmo e depois da já de si polémica decisão de adiar o jogo, Pedro Proença teve mais um punhado de acções que põem qualquer adepto de futebol e, em especial, do Setúbal com os nervos em franja.
O Porto, já de si mais forte, aproveitou e seguiu pela A3 sem pagar portagem.
O Setúbal, a jogar "de baixo para cima" não teve as benesses que outros tinham e não teve hipóteses.

6 comentários:

João Paulino disse...

Sempre pensei que este blog se tratava de um blog de opinião pessoal claro, mas sempre mantendo uma postura, não diria imparcial mas sim mais focada no que se passa dentro do campo e não nos factores externos que quer se queira quer não estão sempre presentes no futebol mas é o que mais afasta as pessoas de tentarem ter conversas saudáveis entre si. Não penso que com este tipo de tópicos (apesar de se tratar de uma opinião pessoal claro e respeito isso), se vá aprender alguma coisa de positivo relacionado com o futebol...
Em relação ao jogo em si, penso que o tão visado árbitro Pedro Proença se limitou a cumprir com as regras do jogo, e isso quer seja ou não do nosso agrado só tem que ser aceite com naturalidade...concordo sim que talvez o árbitro se expôs demasiado ao ter cumprido as regras com estritamente nomeadamente na expulsão dos dois jogadores do Setúbal, mas nunca houve diferenças de critérios em relação às duas equipas envolvidas no jogo, e nesse caso a arbitragem por muito que custe aos rivais de aceitar não pode ser posta em causa.
João Paulino

Barros disse...

Obrigado pelo seu comentário.

Como frisou, e bem, os textos aqui apresentados são da exclusiva responsabilidade dos autores e, obviamente, não expressam a opinião de todo o grupo que colabora no Patadas no Borges.

Como pode ter reparado, visto que leu o texto com atenção, nunca pus em causa a justeza da vitória do Porto. O mérito está lá, o Porto foi mais forte e mereceu ganhar. A mim, como amante de futebol, não me custa reconhecer o mérito dos outros.

O mesmo amante de futebol tem, no entanto, dificuldade em aceitar estas jogadas de bastidores que continuam a minar o futebol português. Refere no seu comentário que "o árbitro se expôs demasiado ao ter cumprido as regras". Pois o problema aqui é que se tivessem sido seguidas as regras que estão presentes no regulamento da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, a ambas as equipas que jogaram ontem no Bonfim teria de ser atribuída uma falta de comparência e, por conseguinte, derrota para ambas neste encontro.

Como fervoroso adepto de futebol afirmo sinceramente que preferia não ter de relatar sobre estes acontecimentos "infelizes" que neste Portugal acontecem.

MrGonyalo disse...

Para Barros:
Como assim Barros,
O jogo foi adiado. Quem toma essa decisão é o arbitro, certo?

Acho que o jogo não teve lances polémicos. O arbitro esteve bem.
Cumprimentos

Barros disse...

MrGonyalo a questão não é ser o árbitro a tomar a decisão, é o que vem depois. E o que vem depois, é isto:

Se no boletim de jogo os delegados não escreveram nova data para a realização do encontro no próprio dia em que este se devia realizar, esta marcação para o dia 23 de Janeiro não tem qualquer base regulamentar.
A data não terá ficado estipulada em Setúbal naquela noite, porque havia dúvidas. Se não houve data no boletim, a marcação deveria ter sido feita nas quatro semanas seguintes e, o dia 23 de Janeiro ultrapassa as quatro semanas.

Do ponto de vista jurídico, este processo poderá dar mesmo origem a falta de comparência e consequente perda de pontos, podendo prejudicar os dois clubes, V. de Setúbal e FC Porto.

Isto são atropelamentos aos regulamentos da Liga.

MrGonyalo disse...

Para Barros:

Se assim o dizes, de facto existe um incumprimento.

Já ouviste falar da questão da taça da liga? O Porto pode perder 3 pontos, por causa da utilização indevida de jogadores da equipa B, senão estou em erro.

Cumprimentos

Barros disse...

Sim, nada que me surpreenda. O mesmo possivelmente vai acontecer ao Braga B por ter usado o Emidio Rafael no jogo desta Quarta-Feita contra o Belenenses para a 2ª Liga quando ele tinha jogado no Domingo à noite pela equipa principal. Mais uma vez as 72 horas não foram cumpridas.

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